Conheça a Agricultura 5.0

 em Agronegócio

Nas últimas décadas, o aprofundamento das pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novas tecnologias tem provocado verdadeiras transformações na vida humana. Nesse contexto, os diversos setores da economia mundial passaram a contar com recursos e dispositivos que facilitam e agilizam a vida tanto dos empresários quanto dos trabalhadores.

No agronegócio, a utilização de softwares de gestão integrados com as informações produzidas por sensores, drones e outros dispositivos auxilia na realização de uma maior produtividade, com menores custos e perdas. Isso é, toda a cadeia produtiva do agro tem disponível hoje aquilo que é nomeado como Agricultura 4.0.

Contudo, é evidente que a adaptação do agronegócio a esses avanços ainda encontra grandes desafios como a resistência de alguns produtores rurais em abrir mão de meios tradicionais, a instabilidade e precariedade do acesso à internet no campo, a falta de capacitação das equipes de suporte técnico, entre tantos outros.

Todavia, embora ainda tenha muito a ser feito para a implementação real das novas tecnologias aliadas à produção e à gestão, a realidade é que boa parte da agropecuária brasileira já sente no dia a dia os benefícios que essas inovações provêm, o que só tende a aumentar e se estender para o maior número possível de produtores, independentemente de seu tamanho.

Porém, se reconhecemos que ainda existem desafios para a implementação da Agricultura 4.0, como pensar agora em um novo patamar de desenvolvimento?

A verdade é que a Agricultura 5.0 é uma espécie de atualização do que já existe hoje e está integrada a um conceito muito mais amplo, o qual não se limita a refletir apenas a produção de alimentos e de matéria-prima, mas, sim, a integração de toda a sociedade.

 

A SOBREVIVÊNCIA HUMANA DEPENDE DE UMA NOVA AGRICULTURA

O conceito de Agricultura 5.0 advém da ideia de Sociedade 5.0, que surgiu no Japão como uma forma de planejar o desenvolvimento tecnológico em torno da saúde e do bem-estar humano, bem como da preservação da biodiversidade.

A Sociedade 5.0 leva em consideração três valores fundamentais: qualidade de vida, inclusão e sustentabilidade.

Essas três premissas, embora envolvam os mais diversos aspectos da humanidade e setores da economia, estão diretamente ligadas à produção de alimentos.

Não é novidade para ninguém que a pegada ecológica da produção agropecuária, isso é, os impactos ambientais que ela causa, representa boa parte da degradação de ecossistemas, da emissão de carbono e de riscos à saúde humana.

Por isso, essas são algumas das questões que passarão a ser prioridade na forma de enxergar a produção de alimentos nas próximas décadas.

De acordo com a prospecção da ONU, o mundo deverá comportar mais de 10 bilhões de pessoas espalhadas por todos os continentes até 2100, o que significa que desde já devemos caminhar para uma produção de alimentos mais eficiente que garanta segurança alimentar e sustentabilidade ambiental para as gerações futuras.

Esse quadro sugere que, até 2050, a produtividade do campo deverá aumentar em 70% para não gerar drásticos problemas sociais e políticos no mundo. Para contextualizar isso, o periódico inglês The Economist prevê que a produção de alimentos realizada na próxima geração deverá ultrapassar a soma de todo alimento já produzido nos últimos 10.000 anos.

Assim, o agronegócio deverá contar com evoluções tecnológicas e biotecnológicas que possibilitem um aumento significativo da produção em áreas menores e com menor uso de insumos.

 

OS 4 EIXOS DA AGRICULTURA 5.0

Para atingir o patamar produtivo que será exigido pela humanidade no futuro, os especialistas apontam para quatro eixos que deverão guiar o agronegócio:

– Aumento da produtividade:

Certamente é nesse ponto que o desenvolvimento de tecnologias de ponta e da biotecnologia terão maior impacto, pois a garantia de segurança alimentar de um número cada vez maior de seres humanos depende disso.

Soluções já existentes deverão ser aperfeiçoadas para que se possibilitem resultados ainda mais surpreendentes. Desse modo, as inovações que se aliam ao conceito de agricultura de precisão como o uso de sensores, máquinas agrícolas, imagens de drones e de estações meteorológicas produzirão ainda mais informações, as quais auxiliarão em tomadas de decisões mais precisas.

Os avanços na biotecnologia também serão fundamentais para garantir um cultivo mais eficiente e que necessite de menos defensivos.

Portanto, a transformação digital que já está posta ao agronegócio será intensificada no intuito de permitir uma produção muito maior e com menores custos.

– Promoção da segurança alimentar:

Uma perspectiva exclusivamente tecnológica para a Agricultura 5.0 não atingiria a maior preocupação de toda essa revolução proposta para a sociedade que é o bem-estar da humanidade.

As profundas desigualdades sociais e, em especial, a enorme quantidade de pessoas pobres no mundo deverão ser levadas em consideração ao se pensar a promoção da segurança alimentar no futuro.

Por isso, a Agricultura 5.0 deverá ser desenvolvida em conjunto com outras estratégias igualmente relevantes que abordem aspectos sociais e políticos das cadeias produtivas.

– Redução do desperdício:

Atualmente, cerca de 30% de todo alimento produzido no mundo é desperdiçado, o que significa que 1,3 bilhão de toneladas de comida é descartada todos os anos, mesmo em uma realidade cujo número de pessoas em estado de insegurança alimentar é de 821 milhões.

Nesse contexto, a Agricultura 5.0 deverá contar com recursos que forneçam melhores práticas de armazenamento e transporte dos produtos e com tecnologias que permitam prever a quantia exata de quanto e de quais alimentos deverão ser produzidos.

É evidente que não é somente na fase de produção e de distribuição que os alimentos deverão ter seu desperdício reduzido, as medidas deverão ainda contar com mudanças culturais e normativas para que o desperdício de alimentos seja reduzido também em supermercados, restaurantes e residências.

– Alimentação mais saudável e com menor impacto ambiental:

Os principais problemas de saúde que afetam a humanidade estão ligados aos hábitos alimentares e à qualidade dos alimentos consumidos.

Estima-se que 2,3 bilhões de adultos estejam acima do peso em 2025, destes, 30% com obesidade. Além disso, a Organização Mundial da Saúde acredita que 1 em cada 11 pessoas no mundo tem diabetes.

Esses números são alguns dos diversos exemplos que serão utilizados para que as sociedades passem a adotar novas práticas de alimentação, o que afetará a produção de alimentos em todo o mundo.

Além disso, as questões de sustentabilidade ambiental, que não deixam de estar relacionadas à saúde humana, ganharão cada vez mais destaque.

Hoje, o setor agropecuário é responsável por 30% da emissão mundial de gases do efeito estufa e é o maior consumidor de água doce. Ainda mais, a pecuária tem um impacto ambiental agressivo, muito embora faça parte da dieta de bilhões de pessoas ao redor do globo.

Soma-se a isso, o uso de antibióticos no gado que tem contribuído para a criação de superbactérias e causado desafios emergentes para a saúde pública, além da proliferação de zoonoses, principalmente as que acometem seres humanos e resultam em situações como a da pandemia do novo coronavírus.

Todo esse contexto levará a produção de alimentos a práticas mais saudáveis e ambientalmente sustentáveis como é o caso do crescimento da agricultura baseada em células, insetos e algas e o aumento da conscientização da população em torno de uma alimentação nutricionalmente balanceada e com menor consumo de produtos de origem animal.

 

OS DESAFIOS PARA A IMPLANTAÇÃO DA AGRICULTURA 5.0

A Agricultura 5.0 sugere uma grande revolução digital para o agronegócio, contudo há inúmeros entraves que ainda deverão ser superados nos próximos anos para que o produtor rural consiga se adequar a essas demandas.

Nesse contexto, políticas de incentivo à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que forneçam mais recursos a menores custos, programas de crédito para modernização das fazendas, treinamento de equipes técnicas de suporte, fornecimento de internet de qualidade no campo e outras medidas serão fundamentais.

Portanto, o agronegócio vive um momento de avanço em direção a uma agricultura moderna e sustentável, capaz de mostrar todo o poder da gestão baseada em dados para enfrentar os desafios colocados à produção de alimentos no século XXI.

A evolução para a Agricultura 5.0 está na agenda da maioria dos principais fabricantes de equipamentos agrícolas na próxima década e das empresas de tecnologia voltadas ao campo. Dessa maneira, cada vez mais a presença de robôs com inteligência artificial e a integração de dados fará parte do meio agro.

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